Destaque

Porquê somos assim.

Então me vi assistindo à Tv, quando me atentei para esse  Comercial Posto Ipiranga – Vencedor , como é meu costume… Problematizei!

É engraçado a maneira como escuto as pessoas comentando sobre corrupção ou roubalheira… Quando no nosso dia a dia esse ranço está impregnado na nossa cultura, no comercial é anunciado a premiação para a pergunta a ser feita, generosos R$ 10.000.000,00, o candidato solicita ajuda aos convidados e estes estão com um ponto eletrônico que fornece a resposta… Com direito a uma gafezinha no final, só para deixar tudo mais engraçado, eu acho…

Seria o jeitinho brasileiro? Ou a maldição de querer ser melhor que o outro e ao sistema e, não ser simplesmente melhor no que está fazendo?

Até quando veremos situações assim e acharemos “normal”?

Esse comercial deveria vir com um aviso do tipo: “Reprovamos esse tipo de ação!” ou “Coisas que não devem ser repetidas!” ou, melhor ainda, fazer a coisa do jeito certo… Do jeito Honesto! Por exemplo, o participante entrando em um flashback que mostra ele debruçado sobre livros estudando, lendo jornais, revistas, sites confiáveis e por fim, indo abastecer o carro e lendo em uma placa qualquer a descrição dos serviços do posto…. Muito mais Honesto! Mas… Dá muito trabalho pensar assim, e afinal, qual é a graça em ser honesto no país dos Canalhas?

Talvez seja por isso que os Canalhas riem tão amiúde…

 

 

“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.”                                                                  Mahatma Gandhi.

O Problematizador.

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Assobio.

Noutro dia retornando do trabalho pela manhã, me deparei com uma cena inusitada: um assobio!

Logo que ouvi o saudoso som do ar expelido pelos pulmões, passando pelos lábios comprimidos e produzindo um respeitável sibilo agudo, me voltei para identificar o autor, mas para meu espanto, se tratava de uma jovem mulher, na faixa dos trinta anos de idade, o que me deixou ainda mais perplexo, já que ao longo da vida, vi poucas moças utilizando desse artifício para chamar alguém, geralmente isso era coisa de moleques!

Pode parecer estranho, mas fazia muito tempo que não observava essa forma de comunicação tão comum na minha infância, mas que pouco vejo nos dias atuais, logo comecei a pensar no porquê…

Seriam as formas modernas de interação (eletrônicos em geral)? Seria falta de interação social física? Ruas cheias? Barulho do trânsito?

Não sei. Mas esse evento me fez recordar de minha infância e sou grato aquela moça pelo prazer, a mim proporcionado,  mesmo que ela nem imagine que fez uma boa ação naquela hora!

 

 

Respeito.

 

SaudaçãoSawabona = eu te Respeito, eu te aceito como você é!

Resposta: Shikoba = então eu existo para você!

Cumprimento comum no sul da África.

Problematização de hoje: Respeito. Me peguei pensando nisso outro dia. Depois de procurar elaborar dentro de mim o que significa Respeito, percebi que dentre vários significados que essa palavra possa ter, a primeira coisa que me veio à mente foi obediência,  um acatamento ou submissão. E assim, me vieram fazer memória várias passagens da minha vida em que pude “ler” claramente uma dessas três palavras em atitudes minhas ou de outra pessoa. Um certo jogo de poder. Algo que pode passar perto do medo ou da admiração. Quando alguém sobe o tom de voz para se fazer respeitar, talvez esteja querendo imitar um leão com seu rugido estrondoso e assim se tornar o “rei da selva”, quando aparece com certos itens de alto valor financeiro, esfregando na cara dos demais suas posses, está querendo ostentar-se e fazer-se maior não com um crescimento/mérito, mas diminuindo o outro, pensando que irá conquistar algum Respeito

Várias são as formas de fazê-lo, mas interessante que quando olhei para outro lado, procurei outros significados para Respeitopercebi que a melhor maneira de se alcançar o verdadeiro Respeito, não é se impondo, tomando, humilhando, não… Conclui que com Consideração, um sentimento lindo que entendo como um impulso que leva alguém a tratar outra pessoa ou instituição com grande atenção, com profunda deferência – especialmente quando se trata de alguém mais velho, até mesmo com reverência. Valorizando os momentos em que se pode compartilhar ideias, ideais, espalhar pelo ambiente uma sensação de bem estar com aquele ou aquilo que está na sua frente.  Deixar de olhar para si por alguns instantes e olhar para o outro, entender plenamente o que foi dito e se não foi, utilizar nossa ferramente natural mais importante quando se vive em sociedade, a voz para produzir diálogos esclarecedores. Querer que aquele momento não termine nunca. Tornar toda essa experiência importante, no sentido de importar para dentro de si mesmo, também faz parte daquele pacote que damos o nome de felicidade, que só se enche com pequenos momentos de alegria como esses, por exemplo.

Estranho como algo que me parece simples, pode se desdobrar de formas incompreensíveis, pessoas que por algum tempo agem de uma forma e depois mudam sua forma de agir. Isso me fez refletir que no fundo, nunca houve Respeito nessa relação. Tudo não passou de um artifício para algum ganho momentâneo. Talvez a mais nefasta sutileza, que resulta em perda e frustração ao final das contas.  Portanto posso concluir que nestes casos, não se trata de Respeito e sim de tolerância, uma atitude passiva e política para evitar conflitos e minimizar discussões… Num exercício imaginário, penso que Aristóteles, talvez o maior de todos na minha opinião, ficaria com o meio termo dos dois. Tolerar é bom, mas respeitar é melhor ainda!

Não cheguei a uma resposta satisfatória para minha pergunta: “Respeito: é um dom ou uma virtude?”

 

Um abraço, até a próxima Problematização!

Qualidades x Defeitos

“Há pessoas desagradáveis apesar das suas qualidades e outras encantadoras apesar dos seus defeitos.”   François La Rochefoucauld

 

Ao longo da minha vida ouço as pessoas, e eu por extensão, comentarem sobre os “defeitos” e, por vezes, das “qualidades” de outras pessoas. Algumas tomavam para si, até com certo orgulho, seus próprios defeitos. Meio louco isso!

Mas com o avançar dos anos, a infância foi ficando para trás, os dezoito, os vinte, os trinta e agora na casa dos quarenta anos, vejo de forma engraçada tudo isso. Quer dizer, mais ou menos, vou me expressar assim: “Minhas maiores qualidades podem ser meus maiores defeitos, e meus maiores defeitos podem ser minhas maiores qualidades.”. Acho que agora ficou 3/4 louco…

Quando jovem, me julgava muito teimoso, e gostava disso… Mas não entendia que meu apego as minhas ideias, planos, metas, enfim a tudo isso, não passava de desperdício de energia, quando tentava a mesma coisa, do mesmo jeito, querendo resultados diferentes. Mas quando entendi que não desistir de uma ideia, mas executá-la de outra forma quando uma não deu certo, era o mais sensato, assim o que era minha teimosia se tornou persistência, defeito x qualidade…

Expandindo um pouco os conceitos

Qualidade pode ser a característica particular de algo ou alguém, natureza ou condição, classe ou modelo; na filosofia pode ser a essência, o modo de ser de um indivíduo, e por aí vai. Um conhecido meu e que foi professor do Sebrae nessa área, me definiu qualidade como satisfação do cliente em relação a um produto ou serviço prometido e prestado. Se me permitem a ousadia, vou estender essa definição para fora do mundo corporativo e profissional, talvez qualidade seja isso mesmo, as expectativas que outrem cria sobre nós e, que nem sempre sabendo, atendemos…

Defeito pode ser a imperfeição física ou moral, deformidade, mau funcionamento, falha, na filosofia li sobre a Eudaimonia, um conceito que pode ser traduzido como o bem-estar, a harmonia, a conformidade de tudo que existe com o Cosmo, em contrapartida há o termo Húbris ou Hybris, que se refere ao exagero, ao excesso, ao feio, ao torto, ao desvirtuoso, ao que peca – em geral contra os deuses gregos, que vou traduzir também como defeito. 

 

“Procura nos outros as qualidades que eles possam ter;   em ti, procura os defeitos que certamente tens.”     Benjamin Franklin

 

Outra forma que vejo o tema é o uso dos rótulos, normalmente observo quando pergunto a alguém se prefere esse ou aquele, em especial quando esse alguém não gosta de nenhuma das opções, de pronto ouço “nenhum”, então insisto esse ou aquele, e depois de insistir mais um pouco, traduzindo “preferir” diferente de “gostar“, tenho uma resposta… Ou seja, na maioria das vezes há uma observação rasa sobre as coisas, por consequência a vida e as pessoas, condicionadas ao longo da vida na simplificação dos rótulos.

 

Problematizo agora a seguinte condição: ajudo mais apontando os defeitos de alguém ou filtrando eles (os defeitos) e apontando as qualidades que certamente têm, se olhadas com maviosas lentes?

 

 

Quantos defeitos sanados com o tempo, eram o melhor que havia em você.”  A lista, Oswaldo Montenegro.

 

 

A Difícil Arte da Escolha.

Alice-In-Wonderland“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato. 
“O lugar não importa muito…”, disse Alice.
“Então não importa o caminho que você vai tomar”, disse o Gato.

 

Algumas obras são imortais não só por terem sido escutadas, lidas ou vistas milhares ou milhões de vezes, por terem tido releituras, filmagens e refilmagens, são imortais pela riqueza do seu conteúdo. Em Alice no País das Maravilhas, podemos pegar várias e várias frases e diálogos interessantíssimos, esse citado destaco como um dos meus preferidos, já que tem relação com o que quero Problematizar hoje: A Difícil Arte da Escolha!

Outro dia me deparei pensando nisso, ao assistir um documentário “Rock and a Hard Place” (traduzido como “Difícil Decisão”), sobre um grupo de jovens infratores norte-americanos que passaram por um programa de treinamento militar para diminuir significativamente suas penas e promover uma reinserção social, mas mesmo diante de uma oportunidade que parecia óbvia para quem os assistia, eles ainda apresentavam problemas na hora de tomar decisões e fazer suas escolhas…

Uma escolha por si só, já nos dá a ideia de que teremos que abrir mão de algo em troca de alguma coisa que queremos, por vezes, queremos muito ou queremos mais. Digo isso pensando em escolhas importantes, não em coisas banais como que lanche comer, qual bebida tomar, cor de roupa, etc. Digo pensando em escolhas se referem a mudar o estilo de vida, círculo de amigos, lugares que se frequenta, trabalho, amor ou uma infinidade de coisas que também geram novos e, na maioria das vezes, imprevisíveis desdobramentos.

Escolher não é fácil. Especialmente quando nossas escolhas são feitas pensando primeiramente na opinião e/ou aprovação dos outros ou ainda, são feitas baseadas no medo de errar. Soma-se isso a  uma certa flexibilidade de valores ou a valores que não correspondem aos acordos sociais velados ou não, teremos um indivíduo que acabou de virar passageiro em sua própria vida, pelo menos por algum tempo…

“O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação.” Simone de Beauvoir.

Alguns podem não concordar com a sra. Simone de Beauvoir, mas gosto dessa forma de pensar, ela me diz que devemos pensar e agir, necessariamente nessa ordem! O pensar que me refiro é exercitar o tirocínio, especular e procurar, mesmo que no campo da probabilidade, prever para quais caminhos um decisão pode nos levar, lembrando que nessa equação tem a imponderabilidade do sujeito, que traduzo como: “Todos fazem a melhor escolha para si, naquele momento e diante daquelas condições.“, essa é minha mesmo, rs.

Pensando nisso, fico com uma inquietação: como outrem, sem conhecer toda a história do sujeito, todas as suas experiências, todas as alegrias, todas as angustias, todos os acertos, todos os erros, todas as qualidades e todos os “defeitos“, pode julgar ou ajudar num momento de escolha?

Para apimentar deixo uma frase genial do Fernando Sabino: “O diabo dessa vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove.”

 

 

 

P.S.: Sobre os “defeitos” quero falar noutro post, aguardem…

 

 

 

Problematizador? Sou eu …

Problematizador! Está ai uma coisa que gosto muito de fazer, problematizar. Desde criança, sempre questionei tudo a todos. Gostava de saber o porquê das coisas e, eventualmente, obtinha minhas respostas. Então fui crescendo e aprendendo mais e mais sobre a vida e as coisas que a permeia, no sentido de cruzar mesmo. A minha inquietação não diminuiu, pelo contrário, fez somente aumentar. Então descobri que havia algo que era parecido comigo, uma ciência, talvez a primeira delas: a Filosofia, “… conjunto das reflexões particulares que buscam entender a realidade, a partir da razão.”, isso falou comigo, diretamente com minha alma. Então apreendi a lição mais importante para mim: “As perguntas são mais importantes que as respostas.”.

Assim vou brincando de viver a pensar em tudo que me cerca e, por hábito, problematizo toda informação que chega ao meu cérebro!

Convido todos a se juntarem a mim nessa aventura do pensar, sejam bem vindos!!!

Vicente Ferreira.